21 de mai de 2009

Carregue sua bateria em casa


Sua Bateria já descarregou na casa da sua sogra no meio do mato, sem chances pra achar uma mecânica?! Seus problemas acabaram! Temos ai uma boa ajuda pra quem precisar de uma carguinha emergencial! Mas tome cuidado...

Os carregadores de Voltagem e Amperagem constante, de primeira geração não possuem circuito capaz de detectar o fim de carga, e consequentemente nao conseguem "interromper" a carga, fazendo assim com a bateria sofra um superaqueciemento, podendo até derreter e comprometer o veículo. Um exemplo típico destes carregadores são os que usam Lampada ou entao aqueles de autoelétrico. Estes carregadores precisam de monitoramento constante por parte do usuário para evitar um acidente e um prejuízo. Estes modelos custam menos.

Este tipo de circuito até serve para repor carga de bateria, mas deve ser encarado como quebra-galho para uso em situações emergenciais, e mesmo assim acompanhado de alguns cuidados.
-Este circuito não possui isolação galvânica com a rede elétrica, o que requer cuidado redobrado no manuseio. Para evitar danos a outros equipamentos e choques com potencial risco de morte, JAMAIS façam a carga com a bateria conectada ao veículo e JAMAIS toquem em qualquer parte do circuito, inclusive os bornes da bateria. O mais prudente é fazer a carga com a bateria fora do veículo, distante de produtos inflamáveis e com todo o circuito - incluindo a bateria - devidamente protegido e inacessível para crianças ou animais.
-O procedimento descrito para identificar a fase da rede elétrica é totalmente dispensável já que o circuito faz a retificação em onda completa. Fosse em meia-onda (com o uso de apenas um diodo ou mesmo vários diodos em paralelo) aí sim se torna obrigatório identificar o neutro caso a carga seja feita com a bateria conectada ao veículo, evitando assim transformar a carroceria em cerca eletrificada.
-Este circuito não possui controle sobre a tensão fornecida à bateria. Quem faz este controle - se é que podemos chamar isso de controle - é a própria bateria, tanto que, com o circuito energizado e desconectado da bateria, os terminais do circuito apresentam a MESMA tensão da rede elétrica. Nesta condição, tocar nos terminais do circuito é o mesmo que meter a mão na rede elétrica, e com o agravante da corrente ser contínua e não alternada (choque de corrente alternada geralmente causa contração muscular, o que via de regra afasta o corpo da fonte de energia, ao contrário da corrente contínua que geralmente causa paralisia muscular, o que aumenta o risco de manter o corpo junto a fonte de energia, mantendo por sua vez a condição de choque elétrico).
-Não se deve confundir capacidade de carga da bateria com capacidade máxima de corrente dos diodos. Os diodos da série 1N400X (4001, 4005, 4007, etc.) admitem uma corrente máxima de 1A, mas quem determinará se a corrente será menor ou maior que 1 ampére é a soma das resistências em série do circuito (lâmpada + bateria).
-A corrente com que a bateria será carregada depende da resistência da lâmpada (ou "potência" da lâmpada) mas também do estado da própria bateria, principalmente no que diz respeito à condição de carga, mas desprezando o estado da bateria e sem fazer cálculos mais detalhados, em tensão de 117 volts e com lâmpada de 120 watts consegue-se algo perto de 1 ampére de carga, com lâmpada de 60 watts 0,5 ampére, e assim por diante. Considerando que idealmente a bateria deve ser carregada com 10% da sua capacidade nominal, 1 ampére seria a corrente de carga para uma bateria de 10A/h.Nada impede carregar uma bateria de 40~50A/h com uma corrente abaixo do ideal, só que isso vai demandar um tempo muito maior do que aquele considerado como sendo de "carga lenta", e a forma de aumentar a corrente de carga seria com a utilização de lâmpada de maior potência, só que isso implica em outro problema, como segue.
-Como já descrito, este circuito não possui controle sobre a tensão fornecida à bateria e sua saída apresenta, "em aberto", a mesma tensão da rede. Isso significa dizer que a tensão para que ocorra uma considerável diminuição na corrente é algo muito acima da tensão da bateria. Em outras palavras, mesmo com a bateria carregada até o talo continuará a fluir corrente, só que esta corrente, ao invés de servir para armazenar energia, servirá para decompor os elementos da bateria.O problema pode não acontecer em uma ou duas horas de excesso, mas como este tipo de circuito carrega a bateria na base da carga pra lá de lenta é fácil esquecer a dita conectada ao carregador, e aí o remédio vira veneno.
-Além dos riscos pessoais e materiais, esta é a forma mais INEFICIENTE de se carregar uma bateria já que a maior parte da energia é convertida em luz e não em energia química, e tudo isso serviu para ilustrar o meu comentário inicial: funcionar até que funciona, mas deve ser encarado como algo para uso exclusivo em emergências, e sabendo das implicações a eventual utilização fica um pouco mais segura.
Pra quem tem algum conhecimento sobre fontes chaveadas, é possível transformar uma fonte de PC AT (vendidas na rua Santa Ifigênia a preço de sucata) em um ótimo carregador de baterias, que dependendo das características da fonte pode fornecer corrente acima dos 10 ampéres, com controle de corrente, tensão, e com altíssima eficiência e confiabilidade.Pra quem não tem tanta intimidade com eletrônica, na web existem zilhões de circuitos de carregadores de baterias automotivas, e com o que se gasta com uma pizza é possível montar um carregador com alguns ampéres de corrente de saída, e por mais simples que seja estará a anos luz de distância deste carregador de uso emergencial.



Sds,


Sukys


Fonte: http://www.4x4brasil.com.br/forum/showthread.php?t=24810&page=2