6 scooters em teste - Burgman na frente

Materia da revista Duas Rodas.

Os scooters definitivamente não são carentes de qualidades. A essa categoria sobra conforto na pilotagem, o apoio para os pés é mais que adequado, há espaço para bagagem, proteção frontal, economia de combustível e, talvez a principal particularidade, facilidade de condução. Esta, provavelmente a responsável pela popularização do veículo no mundo. Com a chegada dos scooters 125 cc 4 tempos, os consumidores brasileiros voltaram a se sentir atraídos pela categoria.

O movimento de mercado inspirou DUAS RODAS a um comparativo pouco usual. Uma equipe de seis pilotos, acompanhados pelo fotógrafo e um carro de apoio, levou à estrada seis modelos de 100 a 150 cc, motor 4 tempos de apenas um cilindro e câmbio automático. Bastaria acelerar, sem preocupações com a troca de marchas – diferencial sabiamente apreciado pelo consumidor desse produto. Com base nos três critérios, foram avaliados Garini GR 150 T3, Vento Phantom 150 GT5, Yamaha Neo AT 115 (ainda na versão 2007), Sundown Future 125, Suzuki AN 125 Burgman e Zhongyu Forest 150.

Além do uso no dia-a-dia urbano, buscamos o “algo mais” em uma viagem teste entre a capital paulista e o litoral, um percurso de mais de 300 km. Durante o trajeto, os seis pilotos se revezaram de forma que cada um pôde experimentar todos os modelos e avaliá-los quanto ao conforto, desempenho, maneabilidade e consumo. Enfim, o melhor e o pior nos scooters testados.

A iniciativa de avaliar os modelos simultaneamente e com pilotos de diferentes perfis rendeu uma descoberta ao colaborador Pedro Mello. O pé não cabia na plataforma do Yamaha Neo. Bem feito! Quem manda calçar 44... Já o Garini GR 150 T3 apresentou o melhor desempenho do motor, porém na Rodovia Anchieta, não repetiu a mesma desenvoltura nas curvas. Curiosamente, o Zhongyu, único com refrigeração a água, chegou na faixa vermelha do marcador de temperatura.



Yamaha Neo 115
Apesar do motor de 115 cc o Yamaha neo enfrentou de igual para igual os scooters de 150 cc

O motor de 113,7 cc tem a menor cilindrada entre os concorrentes e a potência máxima (8,4 cv a 8.000 rpm) pode não empolgar. Porém, o Neo se revelou um dos mais rápidos na estrada, com uma disposição inesperada durante toda a viagem. Em comparação com o remodelado Neo 2008, nada mudou quanto à mecânica e desempenho. As rodas de 16 polegadas transmitem segurança na buraqueira, sua grande vantagem em relação ao Burgman 125, o concorrente na faixa de preço próxima aos R$ 6.000.

A ausência do vão livre entre as pernas faz do Neo o mais firme nas curvas. Auxiliado pelas rodas de 16 polegadas e suspensões firmes (até demais na traseira) o Yamaha se saiu o melhor no quesito estabilidade. A mesma suspensão, ótima em pisos de boa qualidade, se provou um incômodo em pavimentação irregular. Conseqüência do reduzido reduzido curso de amortecimento, tanto na traseira como na dianteira. Dois ou três centímetros a mais de curso transformariam o Neo na escolha ideal para nossa esburacada realidade.

Uma garupa das mais agradáveis é outro mérito do valente scooter de 115 cc. Benefícios das confortáveis pedaleiras retráteis, como as do Forest 150. A reduzida plataforma demonstrou o quanto pode ser incômoda para o piloto: a turma dos pés grandes não consegue se acomodar com facilidade. Como tudo na vida, o Neo tem seus prós e contras. Aquela elevação no centro da plataforma, a que ajuda nas curvas, obriga a uma certa ginástica para subir e descer. Outro “contra” é que o fôlego do Yamaha infelizmente dura pouco. O tanque abriga apenas 4,9 litros de gasolina, o que encurta a autonomia.

O motor de menor cilindrada não se mostrou uma fraqueza do Neo, que acompanha os concorrentes mais potentes com facilidade. Rendimento que o torna um dos mais indicados quando a intenção é rodar também na estrada, pois atinge os 100 km/h com relativa tranqüilidade. Uma “crescidinha” de cilindrada garantiria mais potência e segurança nas ultrapassagens.


Sundown Future 125
Porte imponente revela que a prioridade da Sundown é transmitir conforto e atrair pelo estilo.


A primeira impressão é a que fica”. O ditado popular se encaixa tão bem que até poderia ajudar a vender o Sundown Future 125. Elegante e discreto, o scooter faz sucesso entre os executivos. Já não é incomum assistir à curiosa cena de um engravatado circulando a bordo desse Sundown.“ Equipado com motor de 125 cc, mereceria um desempenho um pouco melhor (a Sundown promete que chegará às revendas uma versão com 10 cv). Na estrada, foi o mais lento, principalmente na subida da serra.

A aceleração limitada fica por conta do motor que, para ser exato, possui 124 cc e oferece apenas 0,83 kgf.m de torque, a 6.000 rpm. Em outras palavras, é preciso paciência para elevar a rotação e conseguir acelerar um pouco. Ao longo do teste, o Future dificilmente superou os 90 km/h na estrada. A vocação fica naturalmente restrita ao uso urbano, para quem procura estilo. Seu conforto é garantido pelas rodas de 13 polegadas, banco largo com ótimo acabamento e bom espaço para os pés.

Os freios são compatíveis com o desempenho comedido, embora as dimensões da pinça e do disco dianteiro criem expectativa por uma frenagem mais firme. Nas curvas da Via Anchieta, o chassi apresentou leves torções. Em compensação, o bom amortecimento (associado as rodas, maiores que a maioria dos scooters) asseguram conforto acima da média em nossas ruas esburacadas. Por R$ 6.690, o scooter se destaca como espaçoso e confortável, e pelo status que confere ao piloto. Porém, pede atenção em vias rápidas e curvas travadas.


Garini 150
Ótimo desempenho e visual descolado são pontos altos do GR 150 T3, que traz uma boa lista de equipamentos de série.


Charmoso e imponente com suas cores vivas, o Garini GR 150 T3 se sobressai pela aceleração. O motor de 150 cc tem números inferiores de desempenho do irmão Phantom GT5 – ambos são produzidos na China, mas montados por empresas distintas. Na prática, isso significa que o Garini sumia na frente de todos os scooters avaliados, superando facilmente os 100 km/h. Campeão em desempenho, também o visual chamativo o distancia dos demais, porém menos esportivo que o do Phantom GT5. Tem alarme de série, que até liga o scooter à distância, além de oferecer bom espaço sob o banco.

Se o desempenho do motor e a fartura de equipamentos são pontos fortes, pilotar o Garini na estrada já não foi tão divertido. O quadro parecia torcer em curvas rápidas. Algum erro de ajuste na suspensão é outra possível causa da instabilidade que faz o Garini “rebolar” em maior velocidade. Foi preciso brigar com o scooter para mantê-lo na trajetória. Apesar do forte motor, foi o pior em curvas.

Os freios são idênticos aos do Phantom e do Future que, mesmo barulhentos, seguram o Garini de forma satisfatória. Claro, um scooter com esse estilo merece uma revisão de entrega mais caprichada, afinal é um dos mais elegantes em nosso mercado. O preço de R$ 7.050 se situa em um patamar pouco acima dos modelos mais em conta deste comparativo, o que o torna indicado para quem procura um scooter imponente e de bom desempenho.

Vento Phantom GT5
Design arrojado e equipamentos são atrações do Phantom GT5, um scooter tunado de fábrica


O Phantom GT5 tem como maior apelo o visual arrojado. Custa R$ 10.700, uma boa opção para impressionar. Recheado de equipamentos, no mais puro estilo tuning, vem equipado com controle remoto que permite partida a distância, além de alarme. Um luxo de scooter!

O espaço sob o banco é tão bom quanto o do Garini – aliás, o mesmo, já que usa plataforma idêntica. Conforto para o piloto é o atributo que completa sua lista de qualidades. O painel repleto de informações digitais pode confundir. Até a velocidade pode ser indicada em quilômetros ou milhas por hora.

Segundo a fabricante, o motor de 150 cc oferece 10,1 cv a 7.600 giros e a velocidade máxima declarada é de 125 km/h. A cilindrada 25 cc maior que a do Sundown Future, por exemplo, não impede o Phantom de ser quase tão lento quanto o concorrente. O desempenho limitado pode ser resultado da falta de ajustes ou mesmo do estranho escapamento dimensionado, que parece próprio de um motor 2 tempos.

O manete do freio dianteiro tem curso reduzido, permitia frenagens apenas regulares e acompanhadas de rangidos. Nas curvas, um bom comportamento graças ao sistema de suspensão traseira bi-choque (com regulagens). Rodas de 13 polegadas com pneus esportivos de perfil baixo são um conjunto apropriado para pisos de boa qualidade. O Vento Phantom é uma boa opção para o lazer, de preferência em ruas de excepcional pavimentação.



Zhongyu Forest 150T
Rodas grandes, duplo freio a disco e visual retrô diferenciam o Forest 150, único com refrigeração líquida


Um scooter grande, com visual imponente e linhas retrô. Assim é o Forest 150, o único a oferecer freios a disco nas duas rodas (pistão duplo na dianteira), refrigeração liquida e rodas de 16 polegadas. Nas arrancadas, o motor de 152,7 cc atendia às expectativas com o velocímetro rapidamente atingindo as 50 milhas horárias (cerca de 80 km/h). A velocidade máxima, contudo, se limitou a pouco mais de 100 km/h (a potência declarada não supera 6,5 cv a 7.000 rpm). Desempenho semelhante ao do Garini GR 150 T3 e do Burgman 125, ambos refrigerados a ar. No Forest avaliado, os freios apresentaram deficiência semelhante à dos compatriotas chineses Future, Garini e Vento: rangem e a eficiência não empolga. Outra crítica fica para o calor excessivo atrás do escudo, que chegava a esquentar a chave de ignição.

As 16 polegadas das rodas não pouparam as suspensões de provarem seu curso reduzido, especialmente quando o trecho tinha irregularidades. Se o asfalto ajuda, o Forest apresenta excelente comportamento nas curvas. O visual sofisticado também é um diferencial, embora não seja unanimidade entre os pilotos. Falando em sofisticação, o modelo vem equipado com bauleto e assegura a maior capacidade de carga entre os scooters testados. Embaixo do banco, existe até acionamento de freio de estacionamento. Neste modelo, assim como no Yamaha Neo, as pedaleiras retráteis facilitam a vida do garupa. Por R$ 7.200, as rodas de 16 polegadas são uma alternativa para ruas esburacadas que, somadas ao desempenho razoável na estrada, o transformam em uma das opções mais versáteis


Suzuki Burgman125
Menor preço e bom desempenho garantem ao Burgman 125 ótima relação custo/benefício


Entre os seis pilotos, uma unanimidade: o Burgman 125, que custa R$ 5.600, tem excelente relação custo/benefício. Com o menor preço entre os scooters avaliados, já invadiu cidades pequenas e, aos poucos, conquista grandes centros urbanos. Na estrada, o Suzuki mostrou a valentia do motor de 124 cc, com excelente aceleração e velocidade superior aos 100 km/h.

O freio a disco na dianteira não merece medalha por mérito, mas garante frenagens seguras. Já as suspensões e os pneus sem câmaras de desenho esportivo empolgam nas curvas, garantia de diversão em pisos bem conservados.
Nos buracos, surge o grande defeito. As rodas são pequenas demais para nossas crateras. Qualquer buraco e as rodas de 10 polegadas (as menores entre os modelos avaliados) somem dentro da ondulação, quase anulando o bom trabalho das suspensões. Se as rodas tivessem ao menos 12 polegadas, seria perfeito para nossas ruas. Outro pênalti está no pequeno compartimento de bagagem, embaixo do banco, onde só cabe um capacete do tipo aberto. A dica é instalar um bauleto no Burgman e ampliar a capacidade de carga. Para melhorar a vida do garupa, poderiam existir pedaleiras retráteis, como no Yamaha Neo ou Zhongyu. O preço e o desempenho são as razões do sucesso entre quem procura uma segunda moto, ou um veículo de entrada nas duas rodas.


Desempenho & Qualidade
Devido à diferença de desempenho entre os seis scooters, o grupo de pilotos de DUAS RODAS se dividiu em dois pelotões na estrada. Garini, Burgman e Forest se revezavam na frente, enquanto o Future ficava sempre na lanterna. Quanto à qualidade, as nipobrasileiras (Suzuki e Yamaha) estão num patamar superior de acabamento, apesar de as concorrentes evoluírem rapidamente. A Sundown é um ótimo exemplo. Fica perceptível a preocupação da engenharia em aprimora os conjuntos mecânicos com os fornecedores. Nos modelos chineses notamos problemas de acabamento e, às vezes, de revisão final e regulagens, o que resulta em perda de performance e incômodos na pilotagem (ranger de freios, peças soltas). São problemas de solução simples, basta atenção na montagem e ajuste dos scooters.



Opiniões dos pilotos


O Yamaha Neo 115 tem como principal vantagem as rodas de 16” e o quadro com tubo central. Estas duas características o posicionam como “scooter de rodas grandes” e fazem diferença em uma cidade como São Paulo, além de render um desempenho mais esportivo. O concorrente mais direto da Neo, o Zongyou Forest 150, também tem a vantagem das rodas de 16”, mas o motor 150 arrefecido a água poderia ter melhor rendimento, empata com o Burgman 125. O estilo é muito enfeitado, o que pode agradar as mulheres. Entre os scooters de roda pequena o Suzuki Burgmam 125 é a melhor escolha: simples, pequeno, econômico e de bom desempenho. Pena que as rodas de 10” não inspirem confiança. Com aro 12”, me sentiria mais seguro. O Garini 150T pode ser o mais enfeitado e “tunado”, mas balança demais nas retas em alta velocidade. Além disso, o motor é barulhento. O Sundown Future está no caminho certo para se tornar um bom produto. Por enquanto, ainda tem baixo rendimento para um 125. Começa a usar componentes nacionais, como os pneus Pirelli, superiores aos chineses, mas o acabamento ainda tem o que melhorar. Escolheria o Yamaha Neo 115, principalmente pela estabilidade, e o Burgman, não fosse por meu trauma com rodas pequenas. Tive um Suzuki Address 100 durante cinco anos e gastei uma fortuna em rodas! Queria um Burgman 125 com as rodas do Vento 150 e pneus do Future 125.
Geraldo Simões

Compraria o Suzuki Burgman pelo conforto do banco, o desempenho e a performance nas curvas. Os problemas estão no tamanho das rodas e pouco espaço sob o banco. No Sundown Future, gostei do design e da excelente posição de pilotagem, porém, o desempenho é fraco. Surpreendente é o desempenho do Garini, que tem design imponente e oferece um bom conforto. Mostrou-se instável em curvas de alta e também em retas acima dos 100 km/h. O design imponente chama atenção no Vento Phantom, mas o desempenho deixa a desejar. Com todo aquele estilo deveria andar mais. Apesar do Yamaha Neo não ser tão imponente, surpreendeu pelo desempenho do motor de apenas 115 cc e o conforto do banco. O que incomoda é o ressalto no assoalho, que impede a movimentação dos pés, e a suspensão um pouco dura. O design do Zhongyu Forest 150 não empolga, porém desempenho e conforto foram surpreendentes. O grande problema foi o aquecimento do motor, apesar da refrigeração líquida.
Alex Figueiredo

O Garini GR 150 T3 tem motor bastante esperto e um belo visual, mas falta estabilidade em curvas mais rápidas. Já o Sundown Future é bem confortável, estável, mas falta potência ao motor. O visual do Vento Phantom GT5 é moderno e o scooter oferece tecnologia avançada. Fica devendo em velocidade final. Enquanto isso, o Zhongyu Forest 150 tem um motor elástico, freios eficientes (mas barulhentos) e um bom conjunto. Falta apenas um pouco mais de curso na suspensão traseira. Particularmente, o visual não me agrada. O Yamaha Neo rende bem, principalmente pelo tamanho do motor. É também estável nas curvas. Um dos melhores em conjunto. O Suzuki Burgman tem o melhor custo/beneficio, com bom motor e boa suspensão. O único senão está no tamanho das rodas. Como penso que scooter serve mais para passear ou ir até o trabalho, ficaria com o Garini ou Phantom, os mais chamativos e modernos.
Felipe Silveira

Fonte: 
http://emburgman.wikispaces.com

6 comentários:

Anônimo disse...

Sou proprietário de uma burgman 125 e posso comprovar: a moto tem um defeito estrutural grave que a fábrica não assume. O pedal de ignição quebra com facilidade gerando uma destruição em cascata que afeta todo o motor. Vários depoimentos podem ser encontrados na internet sobre isso. Meu conserto ficou em R$1600,00. Quer minha opinião? NÃO COMPRE! NÃO É A MELHOR SCOOTER! José Luiz geraime@gmail.com

Anônimo disse...

Comprei um modelo e não gostei, falaram tanto desta moto e não vi nada de mais estou muito feliz com minha CG 150

Anônimo disse...

Burgman é uma scooter perfeita. Conheço dezenas de clube de scooters e quase ninguém tem reclamações. O design da burgman é tão bonito que a Honda e a Kasinski copiaram em suas novas scoorters.

José Luiz: Não conheço ninguém que sabe sobre esse seu defeito no pedal. Eu unca tive esse problema. Eu só precisei dar a partida no pedal 2 vezes. E funcionou perfeitamente.

Anonimo 2: Não se pode comparar CG com Bugman. São estilos diferentes de pilotagem. Motoboy nunca conseguirá se acostumar a andar em moto de verdade. Só com a CG e CG Cargo pra andar no corredor e arrancar alguns retrovisores.

leo disse...

o preço dela é um absurdo

Anônimo disse...

Tenho uma yamaha neo e estou satisfeito com ela, na estrada (com o cabo esticado) chega a 130 km/h com 80kg já viajei com ela 2X o unico problema é q o óleo da transmissão final vaza demais pelo respiro...

Natália disse...

Estou a procura de uma scooter, gostei da Sundown Future 125, 2011 , R$ 5.000,00, 2 anos de garantia, mas estou com medo porque não entendo nada de motos e tem muita reclamação dela na internet. Se alguem tiver uma opinião....